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Entenda porque os acidentes acontecem!

Publicado em 30/12/2015 às 12h43

Traduzido por Valdir Garcia do site www.mentalpilot.com

 

Gerenciamento de ameaças e erros, Fatores Humanos na performance do Piloto

 

Generalidades

“Os pilotos excepcionais são os que utilizam seu julgamento esclarecido para evitar  se colocar em uma situação onde eles teriam que usar sua habilidade excepcional.”

Seu vôo não é perfeito? Nada mais normal. Vôos perfeitos são escassos, pois voar não é simples. Sustos, perguntas sem respostas, erros: esse é o destino comum de todos os pilotos. Percepções equivocadas? Erros de decisão? Erro de pilotagem? Se você tem 50 ou 500 horas de vôo, seu desafio é reduzir percepções equivocadas e seus erros de decisão, a fim de evitar situações que o levem a situações indesejadas.

As pesquisas mais recentes focam na gestão de ameaças e erros, reconhecendo que é impossível eliminar completamente o erro humano. As estratégias para recuperar-se dos erros pega modelos de comunicação, tomada de decisão e técnicas de resolução de problemas.  Para entender o propósito da metodologia explorada neste texto, chamada de Gerenciamento de Ameaças e Erros (TEM, na sigla em inglês), podemos compará-la com o ensino de condução defensiva para motoristas. O propósito da condução defensiva não é ensinar a dirigir (por exemplo, como mudar as marchas), mas enfatizar as técnicas que as pessoas podem usar para minimizar os riscos no volante (por exemplo, técnicas para controlar derrapagens). Da mesma forma, o propóstio da TEM não é ensinar os pilotos a voar do ponto de vista técnico; em vez disso, ela promove uma filosofia pró-ativa e fornece técnicas para maximizar as margens de segurança. Neste sentido, essa formação pode ser encarada como “vôo defensivo para pilotos”.Existem três componentes básicos do modelo: ameaças, erros e estados indesejados.  

Ameaças são definidas como eventos que: (1) ocorrem fora da influência do piloto (ou seja, não é causado por ele); (2) aumenta a complexidade operacional do vôo; e (3) requerem atenção e gestão do piloto para manter as margens de segurança. Sua principal origem é o ambiente.Erros são definidos como ações ou omissões do piloto que: (1) levam a um desvio dos objetivos ou expectativas do vôo; (2) reduzem as margens de segurança; e (3) aumentam a probabilidade de eventos operacionais adversos no solo ou durante o vôo. Os principais erros de pilotos encontram-se na operação do equipamento, em desvios no cumprimento das regras e falhas na comunicação.Uma situação indesejada é definida como uma posição, velocidade, atitude, ou configuração vôo que reduz claramente suas margens de segurança. Ou seja, uma situação indesejada é um estado que compromete a segurança do piloto em decorrência da inadequada administração dos riscos. 

Assim, as ameaças (tais como condições climáticas imprevistas), erros (como atuar de forma incorreta nos batoques para compensar uma pendulagem) e situações indesejadas (como baixa altitude sem ter um pouso por perto) são eventos diários que os pilotos devem aprender a gerenciar para manter sua segurança.

Os pilotos que conseguem administrar esses eventos aumentam o potencial para a manutenção de margens de segurança adequadas.  

 

As três principais linhas de defesa contra o erro são: tentar evitar o erro, antecipar, com planejamento e sistematização, incorporando nos equipamentos; regulamentos, check-lists e treinamentos, os elementos para a promoção da segurança de vôo (ainda que sabendo que você não pode prever tudo o que pode dar errado); perceber logo o erro pela vigilância e verificação cruzada de forma contínua (Reconhecimento), para agir o mais rápido possível; e reduzir as consequências dos erros através do uso das melhores  estratégias para no que está se tornando, ou vai se tornar em breve uma situação indesejada (através de priorização das ações, tomada de decisão, etc.). 

Nas situações práticas, destaca-se a importância da percepção da situação na tomada de decisões. A consciência da situação pode ser definida como saber o que aconteceu, o que está acontecendo, e o que vai acontecer. A percepção da situação do piloto depende da sua capacidade de alternar rapidamente entre diferentes fontes de informação e tarefas, mantendo, atualizando e avaliando uma imagem mental geral do que está acontecendo.Especialistas são mais capazes de interpretar rapidamente uma situação porque têm uma  base de conhecimentos maior e mais estruturada, que lhes permite recuperar alternativas de ação adequadas.Ou seja, eles já "viram algo assim antes". Em outras palavras, a ação que eles selecionam depende da forma como eles entendem a situação.

Você pode aprender a gerir ativamente o seu conhecimento da situação. Toda vez que você executa um check-list, você está controlando a maneira como você direciona sua atenção. O que check-lists levam-no a fazer é gerir o tempo como um recurso limitado. Quanto melhor você aprender seus checks, menos tempo você gasta para executá-los.

Você pode melhorar sua percepção da situação aumentando a frequência com que você alternar entre as fontes de informação. Tome cuidado para não fixar sua atenção em uma tarefa. (Decision Skills Training (DST) –é um método baseado na suposição de que decisões melhores dependem da experiência. Isso inclui a capacidade do piloto de concentrar sua atenção onde ela é necessária, e de se adaptar e improvisar. A formação DST é projetada para aumentar a experiência para tomar decisões difíceis.

Por exemplo: num treinamento dos marines dos EUA, líderes de esquadrões foram convidados a identificar as decisões mais difíceis necessárias durante as suas missões.

Os líderes de esquadrão também ofereceram os motivos para as dificuldades que encontraram, os tipos de erros comumente feitos, e essas estratégias que pareciam úteis na prevenção deles A formação deve dar aos pilotos a oportunidade de praticar as habilidades de tomada de decisão durante o vôo. Claro, isso não significa que a segurança deva ser comprometida. Muitas dessas decisões podem ser simuladas. Os instrutores devem observar como as decisões são tomadas, verificando que exemplos e padrões o piloto vê, quais opções ele está considerando e porquê. Os pilotos precisam ser ensinados a identificar as decisões específicas que precisam praticar.

Depois de cada vôo, você deve refletir sobre as decisões que você tomou, por que você fez e como você pode melhorar sua tomada de decisão em seu próximo vôo). No momento de crise, o piloto está preocupado em avaliar a situação para chegar a uma ação que funcione (não dá tempo, nesse momento, para se preocupar se essa é a melhor solução). Além disso, ação e raciocínio não são as coisas separadas que os modelos teóricos tradicionais assumem.

Na realidade, quando os pilotos se deparam com uma situação nova, sem conhecimento completo e num ambiente em mudança, eles buscam uma ação, executam, avaliam os resultados, e em seguida pensam e agem. O treinamento é uma forma importante para melhorar a capacidade de gerenciamento de ameaças do piloto.

Este texto apresenta técnicas de formação para gestão de ameaças e riscos que são projetados para melhorar a capacidade do piloto de detectar e lidar com as ameaças inesperadas. Isto é conseguido através do aumento da consciência situacional geral.

 

Os fatores humanos em poucas palavras

O piloto encontra tempo ruim, uma vez que se aproxima de seu destino. Ele realmente não quer abandonar sua jornada e pensa em insistir um pouco. Em seguida, ele se lembra o cenário de acidente característico em que está se metendo, com os seus diferentes fatores: pressão, degradação do tempo... ele decide voltar.

Alguma vez você já derrubou a sua xícara de café, errou o endereço ou chegou atrasado para um compromisso importante? Tais eventos são insignificantes em nossa vida diária, mas não são mais quando nos colocamos na posição de pilotos. O maior acidente aéreo atual teve como orígem um único equívoco entre o controlador de tráfego aéreo e o piloto (Tenerife 1977 – colisão entre 2 Boeing 747).Um pequeno erro de decisão nos levará a sotavento da montanha, e má compreensão da meteorologia nos levará ao tempo ruim; uma pressão muito grande e um piloto novato errará o pouso.Ao volante de nosso carro temos os sinais de trânsito nos advertindo sobre os perigos e quando um alarme está piscando em nosso painel paramos na beira da estrada. Uma vez no ar, não há mais sinais que nos alertem para linhas de perigo ou faixas amarelas para não cruzar, e quando uma luz vermelha pisca nem sempre há um pouso nas proximidades.

É nossa parte como pilotos definir nossos limites enquanto diversos fatores empurrar-nos para sair voar.Pode um piloto experiente agir como se estivesse em casa uma vez no controle de sua máquina? Não, quando ele voa, seu comportamento se torna mais metódico, rigoroso, o nível de vigilância aumenta, e na dúvida fica mais prudente, porque ele sabe que a diferença entre uma situação normal e uma situação perigosa, por vezes, é muito pequena.

Esta forma de agir para administrar os riscos não é inata, é aprendida. A educação para a segurança visa reduzir os erros, segmentando as causas de nossas fraquezas. Estas deficiências são bem conhecidas hoje, no campo chamado de Fatores Humanos.Ser piloto é muito mais do que aprender a dominar o equipamento. É uma mistura que nem sempre é sem riscos, entre o que você gostaria de fazer, o que você pode fazer e o que você precisa fazer. Os conhecimentos sobre Fatores Humanos são chaves que ajudam a não exceder os limites do que você pode fazer. O seu comportamento na vida cotidiana é algo que você deve deixar para trás quando você vai voar. Você entra então no mundo de pilotos com um modo de agir específico.

 

 

Três histórias de pilotos

Jacques se coloca nas condições limite Quando Jacques chega no site do võo, ele percebe que o vento é mais forte do que o esperado. Depois de hesitar, ele decide voar. Ele fica abalado durante o vôo quando o vento aumenta. Sua aterrisagem foi agitada, as condições estavam realmente no limite. 

 

Laurent é bloqueado por cima da camada Laurent está a caminho para Limoges quando começam a aparecer nuvens. Ele decide ficar abaixo das nuvens, mas à passagem de um relevo é obrigado a gradualmente passar por cima da camada à medida que avança. Ele hesita entre continuar ou virar. 

 

Chloe fica em uma área difícil para pouso O tempo está furioso. Chloe está avançando à frente rapidamente quando  entra em uma área onde as térmicas enfraquecem . Ela decide continuar a encontrar outras melhores. 10 minutos mais tarde ela se encontra baixo em uma área difícil de pousar. 

 

Voar é uma combinação de 3 coisas

Há uma abordagem simples para analisar como os pilotos reagem isolando:- O piloto, que irá decidir, por exemplo, se irá decolar ou não.- O ambiente, que pode estar mais ou menos acolhedor.- O  equipamento, com um piloto mais ou menos experiente. A maioria dos acidentes ocorre quando vários fatores entre estas três áreas se combinam:- Piloto: Chloe decidiu não esperar para recuperar a altitude antes de avançar.- Meio Ambiente: Ela encontrou-se em uma área pouco propícia para o pouso.- Equipamento: Com um planador que não pousa em 50 m! Defesas e fragilidades do piloto. A partir dessas três áreas, podemos ilustrar um cenário de acidente com um modelo chamado modelo de Reason, que simboliza as defesas do motori
sta como escudos. Esses escudos nunca são perfeitos, e as fraquezas (fadiga, mau tempo ...) são representados por buracos. O cenário de acidente é constituído quando os buracos em cada escudo ficam alinhados. O piloto enfrentou uma série de ameaças e fraquezas que ele não sabia ou não poderia gerir:

 

- Laurent, pressionado, não analisou bem a meteorologia     à um buraco na placa azul

- Ele ficou sobre as nuvens                                                             à um buraco na placa laranja

- Ele não sabe voar por instrumentos                                          à um buraco na placa preta

 

Modelo de Reason

Muitas vezes uma falha vai levar a outras, como a atitude não  muito prudente de Laurent ou Chloé, que os levou a uma situação perigosa. Mas também há falhas latentes que aparecem apenas em determinadas circunstâncias, tais como fadiga, que pode levar a erros quando as condições de vôo se tornam mais exigentes, ou falta em experiência de vôo que irá aparecer no dia que o vento soprar mais forte.

Quais são as fraquezas?.

Há várias décadas, as deficiências dos pilotos que entram em situações indesejáveis ​​são conhecidas e recorrentes. Eles são chamados de ameaças.

Elas são internas quando eles se relacionam com o piloto e externas quando vêm do ambiente.

O modelo que você vê a seguir mostra os principais elementos que irão agir no seu desempenho.

Assim, cada elemento tem seu lado positivo, com as boas práticas, e seu lado negativo, com suas ameaças. Você encontra o piloto, seu ambiente e seu equipamento, e um elemento sobre o coletivo com a comunicação. 

 

Quais são os remédios?

Para cada ameaça existe uma boa prática, contra uma medida, ou “regras da arte”. É como colocarmos um remendo sobre o buraco (do modelo de Reason), que deve mitigar ou evitar as consequências dessa ameaça.   

Um único remendo (boas práticas) muitas vezes é suficiente para evitar uma situação difícil; existem também outros tampões mais genéricos como: prudência, vigilância, tirar dúvidas...

“As qualidades de um piloto são: 40% comportamento, 40% consciência dos riscos e 20% pilotagem”

Algumas palavras-chave

Aqui estão algumas palavras -chave que devem ajudá-lo a encontrar os repertórios corretos de ameaças que você vai enfrentar.

Modo de agir – compromisso - Auto-controle

Saúde - resignação - invulnerável - vigilância - implicação - comportamento – stress – confiança - pressão  - ansiedade - otimismo – lucidez - atitude – fadiga - rigor

Comunicação – coletivo

Briefing -  apoio exterior  - terminologia – compreensão – assertividade

Consciência de riscos – controle da situação

Perigos – desconhecimentos – experiência – percepção – problemas – carga de trabalho – análise – julgamento – ambiguidade – mudança – previsão – limites – surpresa

Pilotagem – domínio da máquina

Experiência – habilidade- procedimentos – conhecimentos – descumprimento – treinamento – limites

O repertório de boas práticas e ameaças

As ameaças que você vai encontrar nas páginas seguintes são divididos em:

- Ameaças externas, ambientais ou organizacionais.

- Ameaças internas, com as três áreas que afetam o desempenho do piloto.

Você pode encontrar exemplos para ameaças ambientais e organizacionais.

No que respeita às ameaças internas do piloto, a listagem das ameaças mais comuns é acompanhada por contramedidas, boas práticas, regras da arte . Dependendo das ameaças, as contramedidas desenvolvidas nesta segunda parte aparecem sob a forma de medidas generalistas ou de exemplos.

 

Exemplo:

Ameaças

Contramedidas – boas práticas – regras da arte

Grande carga emocional

Entre os pilotos o estresse é a emoção negativa prejudicial para a boa qualidade de suas decisões.

Focar em um elemento do vôo

O piloto concentra-se em uma instabilidade no caminho e se esquece de pensar nos possíveis locais para pouso. Estes focos são comuns, você deve lutar contra eles. Pense nisso na próxima vez que você focar a atenção (demais) sobre um determinado elemento do seu voo.

Falta de habilidade

Seu desafio é lidar com uma situação em que você se coloca. Você é capaz de navegar com 1500 m visibilidade conforme permitido pela regulamentação, ou manter-se nos limites do vento de través de sua aeronave? Os melhores pilotos conhecem os seus limites e fazem de tudo para ficar lá. Isso implica tanto num bom conhecimento da situação do dia ou da hora, como em cautela.

 

Nota: esse repertório não é exaustivo, e deve evoluir regularmente.

 

AMEAÇAS EXTERNAS AO PILOTO

Ameaças ambientais

O piloto deve evitar ambientes que podem gerar erros e (ou) situações indesejáveis. Exemplo: o vento está muito forte hoje.

Uma ameaça ambiental para um piloto não é necessariamente para outro, com base na experiência de cada um. Um piloto de praia deve estar particularmente vigilante se for voar em montanha; um piloto de um local deve exercer o mesmo cuidado se ele for voar em outro.

 

Alguns exemplos: 

Ameaças

Contramedidas – boas práticas – regras da arte

As condições meteorológicas

Vento, Nuvem, trovoadas, turbulência, chuva... Tantas coisas que você precisa saber para, em seguida, ou evitá-los ou levá-los em conta conforme o caso. O conhecimento do seu nível pessoal de habilidades é primordial.

A configuração geográfica

Relevos ao longo do caminho, ambiente montanhoso, ausência de pistas visuais, zonas úmidas, áreas inóspitas, áreas restritas... Alguns fatores que você deve levar em conta com mais ou menos importância em função das condições meteorológicas e de seu equipamento.

A rampa e o pouso

rampa molhada, rampa de grama ou de pedra, terreno grande, largura, inclinação... força e direção do vento, obstáculos.

Cuidado com todos os parâmetros que podem afetar a sua distância de

decolagem ou aterrisagem, especialmente quando eles são novos para você.

O tráfego na rampa ou no pouso

Muito tráfego na rampa, a freqüência cheia, dois rádios falando junto, outros pilotos indo para pouso...

O controle da rampa ou do pouso

Má interpretação de uma instrução do controle da rampa, erro do controlador, recepção ruim.

Outras ameaças

Restrições de vôo (NOTAM), ambiente particular, propriedades particulares, riscos de aves ou animais...

 

Ameaças organizacionais

Tratam-se de organizações no sentido amplo: o clube, o controle aéreo, os fornecedores...

Ameaças

Contramedidas – boas práticas – regras da arte

O equipamento

Um equipamento de navegação foi relatado com falha intermitente;

depois de verificar a assistência técnica não conseguiu reproduzir a falha; o equipamento é considerado OK; Você tem uma dúvida sobre um possível problema no tecido ou nas linhas, etc. o mosquetão está enroscando; a selete está mal ajustada...

Acesso à informação

Você não encontra o diretor da rampa para comunicar seu vôo. As instruções ainda estão em vigor? Seu instrutor deve dar-lhe mais instruções antes de voar de novo solo, ou ele ainda não está lá.

Restrições no vôo

O seu equipamento chega atrasado forçando a sair mais tarde do que o esperado. Você deve esperar outro colega que não aparece. Você não entende as notas anteriores sobre o diário de bordo da aeronave. O equipamento que você usa está quebrado. Você pode tomar um outro emprestado,  mas não está familiarizado com ele.

 

AMEAÇAS INTERNAS AO PILOTO

Pressão psicológica

"Droga, um caminhão de bombeiros está atrás de mim, onde para eu saio? Vou subir na calçada! M ... minha roda!"

 "Eu prometi aos meus amigos que ia voar e quando eles chegaram eu não queria que eles se decepcionassem. "

 

O principal desafio do piloto é ficar dentro dos limites de sua competência; a pressão é um fator que vai empurrá-lo para fora insidiosamente. Nos procedimentos de segurança destinados a identificar os riscos antes de um vôo, a pressão é apontada como um fator crítico. A pressão pode ignorar muitos riscos. Isto é especialmente verdade se o piloto é inexperiente, ou seja, com uma consciência dos riscos ainda em construção.

 

Apesar das condições de voo se deteriorando, o piloto não quer ficar em pé na selete enquanto não está quase chegando.

Seu estudante tomou um susto em sua última aterrissagem. Ele chegou muito alto; ele sabia disso, mas estava ansioso para terminar o pouso em vez de dar mais uma volta e tentar de novo.

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Ameaças

Contramedidas – boas práticas – regras da arte

Pressão temporal

A antecipação e preparação do vôo pode reduzir a pressão temporal, bem como permitir tomar as decisões racionais. A urgência é um mau conselheiro; e, principalmente respeite as prioridades no vôo.

Pressão social

Você deve cumprir rigorosamente as orientações e regulamentos.

Certifique-se de ficar bem dentro da sua área de competência. Dizer não, e preparar-se mentalmente para dizer não uma vez ou outra, quando for necessário.

Pressão operacional

Tente antecipar situações específicas. Sempre tenha um plano B e pense que a obrigação de resultado é acima de tudo na segurança e não

o seu plano de voo .

Pressão pessoal

A aviação é uma escola de humildade; isto não é uma simples citação. Você não tem nada a provar para ninguém.

 

Atitude

"Devagar por causa da chuva? Isso é um absurdo, você vai ver, eu controlo...”

"Seria estúpido voltar atrás agora. Essa situação vai passar."

A atitude é uma condição mental ou uma disposição para reagir de uma determinada maneira. Ela é resultado da experiência, antecedentes pessoais e as circunstâncias do momento.

A atitude pode ser positiva ou negativa, como cultura de segurança (consciência para realizar uma atividade que envolve riscos) e irá influenciá-lo fortemente. A atitude influencia nossas decisões e, assim, nossa segurança.

Os especialistas identificaram cinco tipos de atitudes perigosas entre os pilotos:

 

- Impulsividade: "Rápido, rápido, rápido". O piloto impulsivo sente a necessidade de fazer tudo rapidamente e imediatamente. Ele só pensa no que ele vai fazer naquele momento e faz imediatamente a primeira coisa que lhe vem à mente.

- Anti-autoridade: "Não me diga o que devo fazer." O piloto anti autoridade acha que as leis, normas, procedimentos são inúteis ou não foram feitos para ele.

- Invulnerabilidade: "Não vai acontecer comigo." Alguns pensam que os acidentes só acontecem aos outros. Os pilotos que pensam assim são mais propensos do que outros a assumir riscos.

- Macho: "Eu sei como se faz." Pilotos Macho querem mostrar sua superioridade sobre os outros. Eles tendem a assumir riscos para impressionar os outros.

- Resignação: "O que é que eu podia fazer..". Os pilotos resignados não se sentem capazes de fazer a diferença para o que acontece com eles. Eles tendem a atribuir seus sucessos à sorte, e seus fracassos ao azar.

 

Ameaças

Contramedidas – boas práticas – regras da arte

Negligência, deixar rolar, não levantar dúvidas

Se você é uma pessoa muito relaxada, cuidado, a diferença entre uma situação normal e outra perigosa pode ser apenas um simples descuido, alguns segundos de desatenção, um equipamento mal preso... Ter certeza em uma atividade de risco é essencial.

Auto satisfação

A competência de um piloto é forjada principalmente com horas de vôo e análise sistemática de suas práticas. Tenha u espírito crítico (analise) sobre suas experiências próprias, este é um traço comum entre os melhores pilotos.

Pouca implicação

As tarefas que você realiza merecem toda a sua atenção, caso contrário surpresas desagradáveis ​​podem ocorrer. Um piloto que não é motivado pelo que ele faz nunca vai ser um bom piloto.

Excesso de autoconfiança, excesso de combatividade

A regulagem correta da confiança é uma garantia de segurança. Excesso de confiança pode levá-lo além dos limites de suas habilidades com o risco do surgimento de situações perigosas. Portanto, não seja tão seguro de si mesmo e tente encontrar a configuração correta de confiança em relação às suas habilidades; essa é uma verdadeira qualidade em um piloto.

Falta de confiança em si mesmo

Seja realista, se você está aqui é porque você tem as habilidades para estar. A falta de confiança é perniciosa na medida em que leva ao estresse e seus efeitos negativos. “Aprenda a Enfrentar” (Insígnia dos pilotos da Força Aérea Francesa). Os pilotos muito bons têm um bom controle de sua auto-confiança.

Impulsividade

Pense primeiro! Em todas as situações, mesmo em situações de emergência, reflita antes para tomar a decisão certa “de cara”.

Anti autoridade

As regras te garantem um bom nível de segurança; respeite-as. A palavra “disciplina” não é um palavrão no meio aeronáutico, é uma qualidade.

Invulnerabilidade

Saiba que os seres humanos, naturalmente, tendem a subestimar os riscos. Veja que as observações das vítimas de acidentes sempre começam com: "Se eu soubesse...". Se há uma coisa a lembrar sobre Fatores Humanos é a seguinte mensagem: VOCÊ É VULNERÁVEL.

Atitude Macho

Um piloto tem, como todos os indivíduos, três cérebros: um cérebro superior onde fica a inteligência, outro no meio que cuida de suas rotinas diárias e um último na parte inferior que gerencia suas necessidades instintivas (como o leão na selva) Tente ficar nas aptidões superiores para pilotar. NOTA: esta atitude pode dizer respeito também às mulheres.

Resignação

Muitos pilotos, por vezes com muito pouca experiência, encontraram-se em situações perigosas ou sem esperança e saíram. Todos eles tinham uma coisa em comum, eles lutaram até o fim, não desistiram. Assim, no dia em que tudo dá errado, lute, não desista.

Fraco conhecimento de segurança

Se você achar que sua atividade não é arriscada e os Fatores Humanos que apontam suas vulnerabilidades não servem para você, sua cultura de segurança é pobre e irá influenciar sua maneira de fazer as coisas: "Não se preocupe, vai passar, eu já fiz ."

Resistencia à mudança

A mudança é deixar para trás hábitos muitas vezes confortáveis ​​porque nós dominamos bem, e isso nos tranquilizam... Mas o piloto deve adaptar-se ao contexto, às vezes rapidamente, tomando decisões que às vezes não têm nada a ver com suas rotinas habituais.

 

Estresse

"Quando eu parei , eu estava completamente paralisado, eu não conseguia encontrar nem mesmo meus documentos. "

"Estava tudo rodando na minha cabeça , eu não conseguia me concentrar ."

 

Todos os pilotos são confrontados com o estresse. Seus sintomas são muito desagradáveis ​​e irão afetar o seu comportamento, seus recursos mentais e físicos. Isto pode variar de simples ansiedade até a falha em vôo para tomar uma decisão, um bloqueio total.

Com fator agravante, os fatores geradores de estresse se acumulam. Mesmo que você não perceba, seus problemas pessoais te acompanham quando você vai voar e diminuem a sua resistência ao estresse. No início do processo, não há nenhuma luz vermelha para alertar que você está sob a influência do estresse. Estes sintomas podem, portanto, começar a ter efeito, afetando sua capacidade, mesmo sem você perceber.

Se o estresse é a causa de muitos acidentes, em certas circunstâncias a sua ausência pode ser prejudicial. Estresse é muitas vezes um alarme que avisa da existência de um perigo contra o qual você não esteja, talvez, suficientemente preparado.

O estresse irá afetar diretamente a capacidade de seus alunos e, por vezes, em situações muito exigentes. Algumas organizações consideram que este é um dos primeiros fatores de acidentes entre seus profissionais e fazem dele o seu cavalo de batalha. Para os pilotos privados, é, inegavelmente, um fator que contribui para muitos acidentes e é certamente a causa da interrupção prematura na atividade. O estresse é parte da vida do piloto. Não devemos negar, ao contrário, esta é uma informação adicional cuja origem deve ser procurada e tida sempre em conta.

 

Ameaças

Contramedidas – boas práticas – regras da arte

Perda da vigilância

A vigilância é a atenção que você vai trazer para qualquer coisa que possa ameaçar a sua segurança, no curto ou longo prazo. Ela permite que você se proteja dos perigos através da realização de suas tarefas de uma forma metódica e rigorosa com o nível de atenção adequado. Algumas tarefas de monitoramento requerem mais atenção do que outras, como a vigilância exterior.

perda de referência temporal

Um sintoma particular de estresse é a impressão de retração do tempo (passar mais lentamente). Ela não é específica para o estresse enfrentado por pilotos, mas torna-se crítica quando se considera que é primordial que o piloto tenha uma percepção real sobre a sua localização no espaço-tempo. Embora a diferença pareça ser positiva, é uma fonte de erros, um esforço extra.

Fenômeno de regressão

O piloto, confrontando um torpor mental, terá dificuldades para se concentrar em suas tarefas. No calor do momento ele pode dar prioridade à tarefas rotineiras, mas inadequadas para a situação. Nesse instante particular, concentre-se em suas tarefas para evitar fazê-las de forma inconsciente.

Diminuição da consciência dos riscos

Sob a influência do estresse, o cérebro funciona em marcha lenta. A consciência do risco é afetada como todos os outros recursos mentais. Este conhecimento simples deve alertá-lo.

Erros: rotineiros, de leitura, de julgamento...

Sob a influência do estresse, o piloto vai sentir maior dificuldade de concentração, e cometerá erros. Concentre-se em suas tarefas e, particularmente, sobre as tarefas mais críticas: cálculos, leitura de instrumentos...

“tunelização” mental

O estresse é intenso e você não consegue mais se concentrar. Suas habilidades psíquicas estão sendo sugadas para um poço sem fundo. Uma reflexão simples requer energia mental considerável, e você se concentra em detalhes em detrimento de outras tarefas. Considere concentrar a atenção em torno de suas tarefas prioritárias.

Perda da lucidez

O nível de lucidez vai determinar sua qualidade de consciência situacional. Sob o estresse, seu "radar mental" vê a sua potência diminuir, o tamanho da imagem mental reduz, bem como sua qualidade.

Omissões

A omissão ou esquecimento de uma tarefa pode se transformar em erro. Entre as várias tarefas que você executa, algumas estão entrincheiradas em suas rotinas, e vão resistir melhor ao estresse do que outras que necessitam de um pouco mais de atenção.

“viscosidade mental”

Este termo é por vezes utilizado na aviação para evocar um baixo nível de desempenho das tarefas mentais. O treinamento (por exemplo , fazer contas de cabeça) , a gestão do estresse, a antecipação ...  essas práticas permitem que seu desempenho mental “saia” mais facilmente.

tensão sobre os comandos, pilotagem “rígida”

A pilotagem é mais ou menos fluida com base na sua experiência e seu nível de estresse. Se você é inexperiente, a robustez de sua capacidade para lidar com os sintomas de estresse pode ser seriamente afetada, como aterrissando em uma condição limite. Antecipe este fator de degradação nos dias em que as condições de vôo são marginais (ruins).

Decidir pelo mais fácil

Face ao desconhecido e, assim, enfrentando o medo do futuro, o estresse vai te levar a lutar, fugir, ou sofrer as consequências. Sob a pressão de estresse, escolher as decisões mais fáceis pode ser um sinônimo de fuga. Então aqui outro bordão utilizado pelos pilotos: Enfrente!

Diminuição da atenção dividida

Estudos mostram que os pilotos constantemente fazem malabarismos de uma informação a outra, e às vezes a um ritmo constante. Essa velocidade de "amostragem" das informações será retardada proporcionalmente ao nível do seu estresse. Concentre-se, portanto, em seguir uma sequencia na realização de suas tarefas em um ciclo, levando em conta a ordem de suas prioridades.

Enfraquecimento do circuito visual

A percepção visual é um sentido super solicitado pelos pilotos, que devem coletar uma grande quantidade de informações. O estresse retarda o seu sistema visual; assim, você deve focar as informações essenciais, respeitando as prioridades do vôo.

Redução da consciência da situação

A consciência da situação decorre da percepção e tratamento de inúmeras informações. O estresse vai afetar sua percepção e processamento de informações (você sentirá dificuldades para pensar). Respeite, portanto, suas prioridades e faça o esforço mental necessário para controlar esse torpor mental que se instala.

 

Fisiologia

"Eu tomei medicamentos que causam sonolência, e eu bati na barreira de segurança!"

"Estou exausto agora, eu vou voar, isso vai me fazer bem."

Em muito poucos acidentes a fisiologia é considerada como o principal fator contribuinte. Por outro lado, a fadiga é um factor que, com maior ou menor importância, está presente na maioria deles. O problema da fadiga do piloto não é geralmente de cair no sono (embora eles regularmente durmam) como os motoristas de carro, mas ver o seu nível de vigilância diminuir com a dificuldade de concentrar-se. Os erros serão mais numerosos e as decisões de menor qualidade.

Existe o cansaço físico  e também a fadiga mental, mais dissimulada. Ela mina o rendimento cognitivo do piloto, enquanto uma característica dessa actividade é tratar uma grande quantidade de dados.

Claro, sua saúde geral é um fator que influi no seu desempenho. Se você está em boa forma ou está gripado, a qualidade do seu vôo sem dúvida não será a mesma. Você está sob a influência de tratamento médico? Será que uns comprimidinhos para alergia vão interferir?...

Você tem notado que alguns fatores de acidentes, tais como perda de controle em vôo, têm muitas vezes consequências críticas em comparação com outros como a aterrisagem. Este é também o caso dos medicamentos que são um fator crítico que atuam sobre o sistema nervoso central do cérebro.

O estresse é um fator comum em muitos acidentes. Ao degradar o desempenho do piloto, ele age sobre o psicológico, mas também na fisiologia do indivíduo.

 

Ameaças

Contramedidas – boas práticas – regras da arte

Fadiga física

Se a fadiga não é um dos fatores principais de acidentes, por outro lado é um fator contribuinte regularmente citado.  A fadiga leva a erros que às vezes podem se tornar críticos: "Eu estava um pouco cansado, eu não prestei atenção , eu pensei que estar inteiro quando ..." . Esteja ciente de que o seu cansaço irá enfraquecê-lo face aos erros e que alguns erros são mais críticos do que outros: esquecer sua carteira é uma coisa, esquecer de colocar combustível é outra!

Efeitos colaterais de medicamentos

Você provavelmente conhece os efeitos colaterais de seus medicamentos (mas cuidado, o seu metabolismo pessoal pode sofrer reações mais acentuadas). Não se esqueça que pilotar exige um elevado nível de vigilância.

Enjôo em võo

Você é um piloto e você não está tão preocupado com o enjôo? Bem, pense novamente. Leia alguns comentários de pilotos experientes que se aventuraram a voar depois de uma noite agitada... Esses pilotos dizem todos mais ou menos a mesma coisa: " ... M! mas que idéia que eu tive de voar esta manhã. "

Ilusões sensoriais

A ilusão sensorial é o resultado de um conflito entre os seus diferentes sentidos, que foram projetados para operar no chão; seu cérebro deve integrar o seu novo ambiente para ir se acostumando e assim evitar ilusões (e enjôo). Se você entrar nas nuvens, confie nos seus equipamentos de navegação e não nos seus sentimentos.

Fadiga mental

Você talvez ainda não tenha percebido, mas há poucas atividades que requerem mais atenção, exigência, que pilotar. Lá, tudo o que pode afetar sua atenção, seu foco, seu bem-estar , é uma ameaça para você. Ir voar para pensar não é uma boa idéia. Os relatos de experiências infelizes de pilotos que foram voar para pensar nos problemas são freqüentes.

Álcool

Números sobre o álcool: 0,1 g: perturbação da visão, que é o sentido mais usado pelo piloto; 0,2 g: sensação de euforia com diminuição na avaliação de tomada de risco (você decidiu, razoavelmente, que não iria voar porque há muito vento? Beba uma cerveja e você vai voar!). 0,5 g, tempo de reação mais lento; 0,6 g: problemas com a coordenação motora. Álcool na aviação é principalmente um problema de assumir risco nas suas decisões, consciente ou inconscientemente .

 

 

COMUNICAÇÃO: Coletivo

"Então você pega a próxima a direita logo após a rotatória” “Mas o que você está fazendo?” “Bem ... eu peguei a próxima à direita” “Mas eu lhes disse depois da rotatória!”

“XP Olá, estou entrando no espaço aéreo.” “XP Olá, você verificou a meteorologia? A visibilidade é atualmente de 50 m.” “Oops”

A comunicação é um fator de segurança. Pode ser enviada ou recebida. A informação pode transitar em uma direção, por exemplo, com a leitura de um boletim meteorológico, ou em ambas as direções, como um diálogo com outro piloto. Em muitos casos, a importância da informação não deve deixar espaço para dúvidas e o piloto deve ter certeza de que suas intenções foram bem compreendidas pelos outros ao redor.

A transferência de informação e compreensão são duas coisas diferentes. Existem muitos exemplos que demonstram que mesmo as mensagens mais simples nem sempre são entendidas como se deveria. E cuidado: você pode ouvir o que quer ouvir.

Assertividade é a capacidade de falar para defender seu ponto de vista. Em uma atividade de risco, essa capacidade torna-se mais importante, especialmente se o piloto é inexperiente. Assertividade é uma qualidade procurada em pilotos.

Saber comunicar também é o piloto saber procurar nos outros as habilidades e experiência que ele não possui. Em uma atividade tão complexa como a aeronáutica, com a sua multiplicidade de fatores, essa experiência pode ser muito valiosa.

 

Ameaças

Contramedidas – boas práticas – regras da arte

Briefing incompleto ou mal adaptado

O briefing é uma projeção no tempo das tarefas a serem executadas. É colocar um pouco de ordem na cabeça de como você pretende fazer as coisas. É por que ele tem de se adaptar ao ambiente, não deve ser uma recitação automática, e sim considerar todas as peculiaridades de interesse de seu vôo, mesmo enquanto sozinho a bordo.

Não comunicar suas intenções

Você não está sozinho em vôo e a prevenção de colisões requer uma comunicação eficaz. Além de informações pontuais, comunicar seu clube de seu plano de vôo talvez possa ser uma grande  oportunidade de obter informações ou conselhos valiosos para você.

Não usar a terminologia padrão da área

Inicialmente a terminologia padrão é difícil de aprender. Com um pouco de prática, entretanto, você vai descobrir que ela é muito prática e, acima de tudo, foi desenvolvida para evitar confusão, além de permitir uma comunicação mais veloz.

Não confrontar (repetir) as mensagens recebidas

Se você não repetir o que foi passado, o instrutor (ou controlador de vôo) ficará em dúvida sobre a informação que passou, quanto ele deveria ter certeza. O mesmo vale para os outros pilotos que estão ouvindo a comunicação.

Não compreender as informações recebidas

Quando usamos o rádio, pode acontecer, tanto de você não ter a escuta treinada para entender o que é dito, ou então de ter um conhecimento limitado. Em ambos os casos siga em frente , mas não deixe de remover a dúvida, pedido, conforme o caso, a repetição da mensagem ou esclarecimentos sobre o que não entendeu.

Não pedir ajuda para os outros

Os pilotos ao seu redor talvez sejam mais experientes que você. Eles podem ajudá-lo: " Quando você estiver naquela ponta da montanha faça... porque ... eu aconselho que você ... "

Não ser suficientemente assertivo, ou ser assertivo demais

Você precisa se comunicar sempre que for necessário. Não se deixe enganar pelo controlador  ou pelos pilotos mais experientes. Saiba levantar dúvidas sempre que elas surgirem. Mas não confunda comunicação e conversa fiada.

 

 

CONTROLE : DO MEIO AMBIENTE , DA SITUAÇÃO

Conhecimento da situação

“Eu não entendi nada, de repente acabei na vala. A pista estava escorregadia pela água...”

“Que engraçada aquela nuvem em forma arredondada lá na frente daquela massa escura. Vamos lá dar uma olhada."

A percepção da situação (PS) trata do equipamento e do meio ambiente. Ela se divide em três níveis que são:

1. Perceber: a recolha de informações;

2. Compreender o significado de tais informações;

3. Antecipar sua evolução no tempo.

 

A percepção é fundamental. É a percepção de que permitirá tratar informação útil para a compreensão da situação. Quando os erros são atribuídos à má percepção da situação, em 75% dos casos são devido à má percepção.

Não é o suficiente coletar todas as informações; você também tem que saber interpretá-las. Um erro pode ocorrer quando a pessoa em questão tenha identificado erroneamente elementos de seu ambiente (falha de detecção). A percepção de erro pode ocorrer mesmo que tenha havido uma detecção precisa, se a pessoa não se importou com a informação.

Mesmo se a detecção for precisa e o piloto tomou consciência das informações, um erro ainda é possível se ele não entender o escopo das informações. A experiência é essencial: o piloto pode não perceber alguns sinais mais fracos, por falta de experiência.

O último grau de percepção da situação é a capacidade de prever, com base nos diferentes elementos que estão mudando constantemente, qual será a situação futura. A diferença entre a percepção da situação do piloto e a realidade deve a menor possível.

 

Ameaças

Contramedidas – boas práticas – regras da arte

Confusão entre duas informações

Confusão é um erro comum quando as informações a serem processadas são numerosas. Você precisa fazer uma triagem entre as informações que são mais e menos importantes, tirar dúvidas, antecipar tudo o que pode ser antecipado, usar o bom senso, comunicar.

Vigilância insuficiente

A vigilância é a atenção voltada para a condução do seu voo e, de forma mais geral, para qualquer coisa que possa representar uma ameaça. A vigilância te preserva dos perigos através da realização metódica e rigorosa de suas tarefas com o nível de atenção adequado. Seu nível de atenção é afetado pelo seu conhecimento, pela consciência do riscos pela e motivação. Portanto, seja vigilante.

Erro em um procedimento

Você pula uma linha em um check-list, e você não percebe uma rajada de vento. Isso é um erro latente que, antes que ocorram seus efeitos, resulta numa má representação da realidade: “estou pronto para a corrida”. E não! Há tarefas que são mais críticas do que outras, repare nelas, a fim de prestar a atenção necessária.

Deixar de fazer  um regulamento, um procedimento

Regulamentos, normas, procedimentos, garantem um nível de segurança com base na experiência do passado, na experiência dos fabricantes... fechar os olhos para elas é reduzir a margem de segurança. As normas têm uma justificativa, elas não estão lá para irritá-lo, pense nisso.

Uma mudança no plano de vôo

Você prepara o seu vôo de modo extremamente conveniente: percurso, meteorologia... mais ou menos conscientemente, junto você está se  preparando mentalmente para esse vôo. Assim, uma vez em vôo qualquer mudança significativa irá exigir uma capacidade de adaptação significativa. Para evitar ser  surpreendido ,  tenha  “planos B”,  use  o   “E se...” (e se o vento está ficando mais forte?)

Ambiguidade entre diversas informações

A ambiguidade é um fator recorrente na origem de muitos acidentes. A ambiguidade pode perigosamente monopolizar sua atenção. Ela polui o seu conhecimento da situação: “é a pista 15 ou 33 em serviço?” Tire as dúvidas, use o bom senso.

Diferença com a percepção dos outros

Sua percepção da situação difere daqueles em torno de você. Vocês tem as mesmas informações? Informe-se, levante dúvidas, com bom-senso faça alguns testes. Se você tem certeza de sua avaliação, defenda o seu ponto de vista e se recuse a pousar com vento de cauda.

Focalização sobre um elemento do vôo

Você foca no tráfego e se esquece de verificar a condição que está voando. Esses focos são comuns, você deve lutar para evita-los. Pense nisso na próxima vez que você ficar prestando muita atenção em um único elemento do seu vôo.

Sobrecarga de trabalho

Quando as tarefas pendentes começam a se amontoar, a pressão vai crescer, o estresse aparecer, é um círculo vicioso. De modo geral, antecipe todas as tarefas que puder para se preparar para sua chegada.

Falta de experiência

Não existe melhor remédio para a falta de experiência que a obtenção da experiência dos outros, buscando conselhos de pilotos experientes, lendo revistas, consultando sites. Uma outra maneira muito eficaz para manter um bom nível de segurança, apesar de sua inexperiência, é a prudência.

Conhecimento insuficiente

A percepção da realidade requer conhecimento pontual como a previsão do tempo, ou conhecimentos mais básicos como o significado da simbologia meteorológica. A atividade de vôo requer um monte de conhecimento, que é por isso que juntamos quilos de papel. O mais importante não é necessariamente saber tudo, mas é encontrar rapidamente a informação (organização).

 

Decisão – conduta de võo

"Vou evitar pequenas estradas, esta manhã, há um risco de gelo."

 "O vento não vai aumentar. Vamos sair."

Você deve decidir como você vai se vestir, como você vai organizar o seu dia, etc. Essas decisões são tomadas sem pressão, porque elas são seguras. Na pior das hipóteses, você pode perder cinco minutos para fazer um retorno. O risco é o fator determinante que faz com que as decisões que você vai tomar como piloto nada tenham a ver com as que você normalmente toma.

O piloto toma a sua decisão depois de ter recebido e analisado as informações que irão orientar a sua atividade. Elas são rotineiras como a manutenção do equipamento; táticas como um briefing; ou estratégicas como uma decisão de decolar ou não decolar. Diferentemente da maioria dos erros, os erros de decisão são atos deliberados, e é por isso que eles geralmente têm consequências graves. A qualidade do julgamento que vai levar à decisão está intimamente ligada à experiência.

Todos os elementos que afetam o desempenho influenciam mais ou menos nas nossas decisões. As habilidades técnicas também vão influenciar o nosso julgamento: tenho as habilidades para fazê-lo (?) Nosso julgamento pode estar contaminado com diversos tipos de viés. Esta poluição será mais importante ainda se a nossa competência é baixa ou se a situação desconhecida.

O piloto, antes de tomar a sua decisão, deve regularmente resolver problemas. Elas podem ser simples com uma solução óbvia, complicados, mas ainda com uma única solução, ou complexos: não há uma solução mais óbvia do que outra.

Temos de tentar tomar boas decisões, mas também temos de aprender a ter cuidado com as más decisões, e isso por duas razões principais. A primeira é que existem muitas armadilhas na aviação que podem nos levar a tomar decisões erradas; e a segunda razão é que a diferença entre um vôo tranquilo e um vôo cansativo, estressante ou até mesmo perigoso pode ser causada por poucas coisas. Erros de decisão (com erros de pilotagem) são os erros cujas consequências são as mais graves.

 

Ameaças

Contramedidas – boas práticas – regras da arte

Situação nova, contexto desconhecido

Os pilotos se encontram com uma série de situações novas. Para dar conta, você precisa, sempre que possível, antecipar, se preparar. Você também deve ter cuidado para não acumular muitas novas situações ao mesmo tempo, como chegar em uma área nova num horário de rush.

Pouca experiência

A experiência permite adaptar uma situação que você já se encontrou, ou repassar seu catálogo de situações já experimentadas, para escolher uma delas a partir do qual você pode estruturar seu pensamento e suas decisões. O novato deve procurar antecipar tudo o que puder e agir de forma prudente face a uma situação nova.

Vieses de julgamento

(preconceitos)

Seu julgamento, a partir da qual você toma as suas decisões, pode estar poluído por vieses de julgamento, isto é, por desvios inconscientes em relação a um julgamento objetivo. As ameaças relacionadas com a atitude vão incentivar o aparecimento desses preconceitos, assim como a pouca experiência ou competência insuficientes. Sua suscetibilidade à vieses de julgamento é inversamente proporcional ao seu nível de habilidade.

Alta carga emocional

Entre os pilotos, o estresse é uma emoção negativa prejudicial para a boa qualidade de suas decisões. Preste atenção, no entanto, que no outro lado das emoções que é euforia, que também pode apresentar riscos.

Problema

Os pilotos devem resolver problemas. Eles podem ser simples com uma solução óbvia, ou complicados, mas com uma solução precisa a ser tomada. Os mais difíceis, entretanto, são os problemas complexos que têm a particularidade de não ter uma solução única: você se move para a esquerda ou a direita da massa de nuvem? Os dois primeiros casos são principalmente de conhecimento , o terceiro de experiência.

Carga de trabalho

Um piloto não pode fazer duas coisas ao mesmo tempo, ou elas não vão ser bem feitas. Se você ficar saturado pela carga de trabalho, seu raciocínio não será tão eficaz, e pior, o estresse pode aparecer e você se complicar ainda mais. Você tem que antecipar tudo o que puder, até mesmo o seu pensamento. Pense, por exemplo, no seu plano de ação antes da fase complicada que você sabe que vai chegar no vôo.

Pressão temporal

Se um piloto ficar fazendo duas coisas ao mesmo tempo, ele pode acabar se machucando. Você tem que antecipar tudo o que puder. Em todo o caso, vá para o básico e siga as prioridades do vôo, são esses momentos específicos os mais difíceis de cumprir.

Complexidade da tarefa

Você está diante de uma situação nova e você não tem certeza de como gerenciá-la. Pense sobre suas prioridades imediatas, como pilotar sua aeronave. Nesse mesmo espírito, pense antes do ponto de vista da segurança ao pesar as diferentes opções a partir das quais você vai tomar sua decisão. Você também pode tomar "medidas conservadoras"

como adiar sua partida. A "volta ao básico" pode também ser uma saída.

 

Decisão – gestão de riscos

O acidente é um confronto com o risco que terminou mal: um pouso em vento cruzado mal realizado, uma perda de controle em condições de vôo exigentes... Risco ou perigo? É o confronto ou a exposição aos perigos que se torna um risco.

A percepção de risco vai aumentar com a experiência e melhorar a julgamento e qualidade das decisões. O piloto será capaz de perceber combinações um risco como uma chegada em um pouso desconhecido com vento forte... Ele reconhece determinados contextos que anteriormente não tinham nenhum significado para ele. No entanto, a experiência pode empurrar o condutor a correr riscos ao forçar o “envelope” um pouco mais, alegando que tem o controle da situação. Essa tendência de ir sempre mais longe dos pilotos experientes é um fenômeno bem conhecido.

Os motoristas de automóveis acham que dirigem de forma mais segura do que a média. Essa tendência de superestimação das nossas capacidades causa uma sensação de segurança indevida. Essas pessoas percebem riscos como os outros, mas consideram-se mais competentes; se ocorrer uma situação de risco elas acham que podem dar conta. Um outro viés diz respeito à ilusão de invulnerabilidade. Acidentes, doença... isso só acontece com os outros. Depois de muitos anos sem vivenciar situaçõesde risco, o piloto se sente imune contra qualquer ameaça. Esta é uma "ilusão de experiência" que leva a uma subestimação dos riscos.

Existe uma relação muito estreita entre: gerenciamento de riscos, cultura de segurança e conhecimento de Fatores Humanos. A cultura de segurança é estar ciente de que realizamos uma atividade de risco. O conhecimento de Fatores Humanos é saber que somos vulneráveis.

 

Ameaças

Contramedidas – boas práticas – regras da arte

A assunção de riscos

conscientemente aceitos

A aceitação consciente da tomada de risco desnecessário se distancia de uma cultura de segurança, isto é, a consciência de que somos vulneráveis em relação aos riscos da nossa atividade. Essa cultura de segurança se ensina, e é construída pela força dos melhores pilotos.

Má apreciação dos riscos

A avaliação dos riscos pode ser dificultada por muitos fatores, tais como uma situação nova, vieses de julgamento, nossa atitude, mal-entendidos. Em caso de dúvida, é a precaução que deve prevalecer.

Pouca consciência dos riscos

A consciência dos riscos é proporcional à experiência. Nós temos uma tendência natural de subestimar os riscos, e mais ainda se somos nós os responsáveis ​​por controlá-lo. Estes fatos devem fazer-nos cautelosos.

Hierarquização dos riscos incorreta

O conhecimento dos perigos e riscos associados é um elemento-chave da condução do voo. A resposta para a pergunta “Por que ..?” Traz conhecimento valioso que irá permitir-lhe, por exemplo, dar prioridade à estabilização de seu equipamento antes de descobrir a origem deste baque que você acabou de ouvir.

Imprudência

Voar por lazer é ser regularmente confrontado com novas situações que nem sempre você têm as respostas certas para controlar. O “direito de dizer não” ou princípio da precaução deve prevalecer. Todo piloto novato vai encontrar situações novas, mas certifique-se que a caminhada não está muito acelerada.

Mudança no plano de vôo

Há muitas razões para mudar seu plano de vôo, começando com a meteorologia. Este novo plano irá resultar em uma carga de trabalho, e talvez questões que podem ficar sem respostas. Seria possível prever este novo destino, esta nova jornada, a passagem debaixo da camada? Duas palavras-chave são necessárias: a antecipação e preparação do vôo, com um plano B e um plano C , mesmo no caso de ...

Risco conscientemente ignorado

A pressão, nossa atitude, o nosso conhecimento limitado, muitos fatores podem nos levar a subestimar os riscos, porque nos convém. Às vezes, nós começamos a entrar na nossa margem de segurança, por várias razões, tais como um vento maior do que o previsto. Por isso, vamos evitar brincar com o fogo, vento cruzado é um limite para nós, admita isso para evitar uma queda no pouso com uma rajada.

Ultrapassar seus limites pessoais: fisiológicos, estado mental

Por que os pilotos profissionais fazem exames médicos exaustivos? Por que os pilotos de caça tem uma visão de águia, uma condição física impecável, nervos de aço? Leia alguns artigos ou escute experiências de pilotos que se aventuraram em vôo quando eles não estavam exatamente em sua melhor forma. Eles são edificantes...

 

 

Conduta do vôo

"Eu esperava uma ligação superimportante que chegou justo quando eu estava num cruzamento ..."

 "Eu realmente senti que eu estava muito alto para o pouso, então eu aumentei a inclinação, mas um pouco exagerado...

Há vários aspectos relacionados com a condução do vôo. Este é um dos aspectos mais críticos aqui discutidos, ou seja, a definição de prioridades. Uma característica da atividade do piloto é o tratamento de uma multiplicidade de informação em constante evolução, num ambiente complexo; para complicar um pouco mais a situação, temos ainda o fator velocidade.

O piloto tem que hierarquizar constantemente as suas prioridades em função do contexto. Claro, a primeira prioridade é dirigir a aeronave em torno de seus três eixos respeitando seus parâmetros: eu dirijo minha máquina. Em seguida, vem a gestão de sua trajetória.

Uma dificuldade reside na carga de trabalho do piloto que vai pilotar num ambiente novo que vai focalizar sua atenção nisso em detrimento da operação dos controles e da trajetória. Para um piloto inexperiente esse acúmulo de tarefas pode ser complicado de implementar dado seus muitos pontos fracos.

Priorizar os controles é normal, mas se isso ocupar toda sua atenção e não sobrar espaço para a navegação isso pode conduzir a uma colisão com o relevo.

Algumas tarefas são constantes no espaço/tempo e é muito difícil para o piloto dar atenção a elas quando a situação exige que se dê atenção a outros elementos do vôo. A antecipação é, portanto, um elemento crucial para evitar picos de carga e assegurar uma fluidez nas tarefas.

 

Ameaças

Contramedidas – boas práticas – regras da arte

Carga de trabalho

Você deve prioritariamente pilotar a aeronave; em seguida, certificar-se  de sua trajetória (portanto, monitoramento externo) antes de realizar qualquer outra tarefa: telecomunicações, gestão de sistemas. Preste atenção em sempre seguir essa hierarquia de prioridades. É nos momentos delicados que ela é mais difícil de ser seguida.

Pouca consciência da situação

Se você não perceber que sua velocidade está ficando baixa, você não pode satisfazer a primeira prioridade do piloto: dirigir sua aeronave.

Na última volta você passa alto sobre o pouso. Você pode ficar tentado a frear, mas sua primeira prioridade é a sua velocidade (senão pode estolar a vela)

Não respeitar as prioridades das tarefas

Muitas são as razões que levam o piloto a desrespeitar a prioridade de suas tarefas, onde controlar a aeronave está acima de tudo. A prioridade ao vôo deve ser uma segunda natureza, especialmente durante as fases de vôo perto do chão. Você ouve uma mensagem no rádio no momento que está saindo da rampa. Ocupe-se primeiro dos controles, o contato no rádio pode esperar um pouco.

Antecipação insuficiente

Uma diferença importante entre um piloto novato e um experiente é a capacidade de antecipação. Um piloto experiente sempre procurará antecipar as mudanças em seu ambiente, e até mesmo as tarefas que vai efetuar. Ele tem assim sempre um tempo antes dos acontecimentos, ele está na frente da aeronave. Olhar longe, tanto literalmente como figurativamente, e antecipar tudo o que puder (isso começa com uma boa preparação do vôo : e se ...).

 

 

CONTROLE DA MÁQUINA

Conhecimento de processos

"Eu aprendi uma boa. Um carro a gasolina não funciona com diesel."

"Meu instrutor gentilmente disse que se eu abrisse o combustível, a partida seria mais fácil."

 

Um simples procedimento (seqüência de ações), digamos, um check-list de chegada, por exemplo, pode se decompor em sete tarefas e 24 ações. Sua realização requer tempo, já que o condutor não pode fazer duas coisas ao mesmo tempo. Ele pode mudar de uma tarefa para outra rapidamente. Algumas tarefas (automatizadas, incorporadas) podem ser realizadas em paralelo, como os controles manuais, mas elas requerem mesmo assim muita atenção. A condução de um carro pelo motorista atendendo um telefone celular no viva voz multiplica o risco de acidentes (de erros) por quatro. Os recursos mentais do piloto que trabalham sequencialmente são, portanto, limitados.

Se a aplicação de um procedimento responde à pergunta: “como? Como usar os sistemas?”, o conhecimento dos sistemas responde à pergunta: “por quê?”. Entender porque as tarefas são organizadas de tal maneira nos permite efetuá-las com mais fluidez e confiança.

Procurar informações necessárias para a gestão dos procedimentos torna-os mais fáceis. O conhecimento do nível de criticidade dos sistemas dá uma perspectiva para as decisões muitas vezes útil.

Um piloto utiliza de forma relevante os conhecimentos que abordam as questões: o que, como, quando, por que e “e se”. Suas importâncias variam, alguns são vitais como os procedimentos de emergência. As ordens de magnitude estão entre os conhecimentos importantes que permitem avaliar, confrontar, rapidamente, uma situação: distância de aterrisagem, velocidade do vento...

 

Ameaças

Contramedidas – boas práticas – regras da arte

Não aplicação dos procedimentos

Um procedimento é um cadeado que garante uma posição precisa, quando ele é efetuado . O procedimento é uma ferramenta de gestão de riscos; não segui-lo , modificá-lo , esquecê-lo, é deixar a porta aberta para problemas futuros (verificar capacete, fivelas, mosquetões, linhas, direção do vento, tráfego antes de decolar).

Múltiplas tarefas, imprevistos, superposição

Por força das circunstâncias, um piloto pode precisar fazer várias tarefas simultaneamente ou dentro de um tempo muito curto. Isto abre a porta para o aparecimento de erros. Antecipe as tarefas que puder, e se você ainda tem que fazer malabarismos entre o rádio, a pilotagem, a navegação, verifique se as tarefas essenciais foram realizadas corretamente.

Distração da atenção

Sua atenção pode ser chamada para outra demanda por várias razões, em detrimento das tarefas que estava realizando: monitoramento, controle, gestão do sistema. Uma tarefa, como um check-list, uma avaliação da trajetória, inclui várias ações. Se você parou uma tarefa em execução, certifique-se de onde que você estava quando voltar em suas ações.

Falta de conhecimento

O conhecimento utilizado pelo piloto para desempenhar as suas funções são essenciais. Alguns, tais como os limites do equipamento, simbologia dos mapas.. vão dizer o porquê e quando você precisa agir. Outros procedimentos, respondem a pergunta “como”. Seu conhecimento também irá ajudá-lo a se adaptar às situações específicas (que você pode antecipar com um "E se..."). Você não tem muita escolha, abra seus livros!

Carga de trabalho

A simples omissão em uma fase um pouco mais carregada do vôo é um erro latente  que colocamos no sistema, como por exemplo uma linha enroscada que não percebemos na decolagem (as consequências aparecem mais tarde). Uma vez que passou o pico, verifique se suas tarefas foram executadas corretamente.

Falta de conhecimento das ordens de grandeza

As ordens de magnitude estão entre os conhecimentos importantes para avaliar rapidamente a situação: distância de aterragem, altura, velocidade do vento... Ela também permite verificar a pertinência de muitas informações. Atenção, as ordens de magnitude devem refletir suas habilidades e não dados dos manuais de vôo: o vento para decolar, no meu caso, é no máximo de 15 km/h.

 

  

Pilotagem e navegação

 “Alô papai, você não vai acreditar. Sabe acurva fechada na descida? Bem, estava chovendo...”

 "XP aterrisagem autorizada na pista 33. XP tudo bem? XP vire a direita para sair da faixa de grama".

 O piloto executa tarefas físicas que exigem mais ou menos habilidades. Quando um erro de habilidade ocorre, é involuntário. É o resultado de uma falta de conhecimentos técnicos, tais como pilotagem básica, de desatenção ou de descuido.

Competência insuficienteé a causa da maior parte dos erros de habilidade. Os exemplos incluem: dosagem errada sobre os comandos, reação atrasada, omissão na execução de uma tarefa, conhecimentos técnicos insuficientes no desenvolvimento de um procedimento. Entre as habilidades motoras, a capacidade de voar instintivamente em todas as condições, com uma coordenação adequada dos comandos é um fator essencial de segurança. Exemplo: aterrisagem em vento forte.

A coordenação dos pés, corpo e mãos são o pesadelo dos novatos. É uma coordenação de movimentos especiais projetada para realizar um voo simétrico. Há também a coordenação do movimento com respeito ao ambiente, ou seja, com a trajetória. O piloto deve ser capaz de controlar a trajetória de sua aeronave instintivamente sob quaisquer interferências externas, mesmo com os comandos cruzados.

Os controles em torno dos três eixos devem ser realizados de forma independente e simultaneamente; O melhor exemplo é a aterrisagem com rajadas de vento cruzado.

 

Ameaças

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Falta de competência

Seu desafio é lidar com uma situação em que você se coloca. Você é capaz de navegar com 1500 m visibilidade conforme permitido pela regulamentação, ou nos limites de vento de seu equipamento? Os melhores pilotos conhecem os seus limites e fazer de tudo para ficar lá. Isso implica tanto uma boa consciência situacional como prudência.

Vôo no limite

Os caprichos do vôo são muitos. Além disso, voar além dos limites da sua competência não vai te deixar com muita margem. Atenção: voar no limite muitas vezes é o que caracteriza os pilotos mais experientes; a partir de uma boa avaliação de suas habilidades eles não hesitam em testar suas fronteiras. Se você é menos experiente, você já terá dificuldade até em perceber os seus próprios limites. Comece já a procura definir seus limites com precisão.

Violação dos limites

Violar uma restrição, isto é, um limite conscientemente, pode ter duas razões. Ou você não tem escolha e você tem que pilotar, por exemplo, além das limitações de sua máquina por algum motivo operacional, ou você pode violar os limites para sua conveniência pessoal. Isso pode ser a busca do mais fácil, ou simplesmente inconsciente. Pense que o primeiro caso não terá sanções mas provavelmente vai exigir alguma explicação, ao contrário do segundo.

Não conhecer seus limites

Voar é de certo modo ficar atrás do volante de um Fórmula 1 e decidir a velocidade que vamos entrar nas curvas. Então, quais são suas limitações pessoais: visibilidade , teto, vento, localmente , na navegação? Defina-as.

Falta de rigor

Sejamos rigorosos onde pudermos ser. Já há riscos suficientes que podem nos mover além dos nossos parâmetros, não precisamos juntar mais um pela nossa displicência.

 

 

ALGUMAS LIGAÇÕES PERIGOSAS

Entre os diferentes encadeamentos possíveis , aqui estão as combinações de risco mais comuns entre os diferentes elementos do desempenho. 

Ameaças

Contramedidas – boas práticas – regras da arte

Pressão

A pressão vai agir sobre as atitudes, sobre as emoções (estresse) e também sobre as decisões com julgamentos que podem ser tendenciosos.

Atitude

cultura

A atitude leva a uma forma de agir. Ela é condicionada pela cultura de segurança. Ela influencia em todas as competências, tanto técnicas como não técnicas (soft skills).

Emoções

estresse

O estresse influencia em todos os elementos de desempenho, técnicos e não técnicos, pela diminuição da capacidade mental.

Fisiologia

A falta de condição física ou distúrbios na saúde podem afetar a energia mental (competências técnicas e soft skills) e habilidade motora do piloto.

Consciência da situação

A consciência situacional age sobre as decisões e a gestão de risco do piloto.

decisão

A gestão de risco influi nas decisões. O piloto controla todas as suas tarefas técnicas a partir de suas decisões.

 

 

SEMPRE AS MESMAS ARMADILHAS (AMEAÇAS)

Vejam os fatores de acidentes que aparecem mais que os outros:

A pressão externa

Este é provavelmente um dos fatores mais comuns em acidentes. Você tinha prometido levar seus amigos e vai ter que  cancelar? Você veio até a rampa e vai voltar para casa sem voar? Todo mundo voa com vento de 20 km/h e você não?

A resistência à mudança

Às vezes você tem de se adaptar às mudanças, mesmo que sejam restritivas: escolher uma rota menos direta, mas mais de acordo com a meteorologia, atrasar ou cancelar a decolagem, aplicar um novo procedimento, tudo isso não é tão fácil na prática.

Negligência

Por um lado, o rigor na preparação do vôo e seu cumprimento, por outro o “deixar rolar” que pode ser o resultado da rotina advinda da experiência ou de uma formação não adequada. As tarefas são executadas de forma abreviada, automática.

Objetivo destino

O piloto quer a todo custo chegar ao seu destino. Seu julgamento pode ser prejudicado por vieses. Por exemplo: antes de sair ele esqueceu de verificar detalhadamente a meteorologia, que na hora do vôo não fica muito boa. Aí não considera outra alternativa senão continuar para seu destino.

O piloto atrasado em relação à aeronave

Com um equipamento de maior performance que a habilidade do piloto, suas reações são realizadas mais lentamente do que o equipamento demanda. Aí, o piloto não domina os contoles e, muito focado neles, não tem mais a disponibilidade para perceber o ambiente e suas alterações: a necessidade de pousar que se aproxima, a deterioração do tempo...

Perda de consciência situacional

O piloto está sobrecarregado pela situação, ele já não sabe onde ele está, toda a sua atenção é absorvida por atividades que o impedem de perceber certas realidades como a degradação do tempo: quando ele se dá conta, já se encontra dentro das nuvens, por exemplo.

Ir voar

As condições de vôo são marginais, as nuvens estão fechando o céu, mas há um pedaço azul ali: vou voar. O tempo está péssimo, com vento cruzado e rajadas: mas está só a 25 km/h, meu parapente voa a 35, vou voar. Sair para o võo envolve considerar se existe uma boa margem de segurança, um plano B; se não for o caso, o melhor é decidir não voar.

A passagem em condições IMC (võo por instrumentos)

Pegou a térmica e foi subindo, foi subindo, e de repente está dentro da nuvem e está tudo branco em todas as direções. O võo sem condição visual requer treinamento especial sem o qual o resultado pode ser fatal. Um estudo com vinte pilotos inexperientes mostrou que o tempo decorrido antes da perda de controle do avião depois de perder a condição visual de vôo variou de 20 segundos (os menos habilidosos) a 480 segundos: a média é de cerca de 3 minutos. Todos perderam o controle de seu aparelho.

A saída do domínio de vôo

O piloto se depara com uma situação que não é mais capaz de dominar tecnicamente. O resultado pode ser uma saída do envelope de vôo, resultando em um estol, uma fechada... Os equipamentos são mais ou menos “ariscos”, alguns perdoam menos os erros do que outros.

Muitas vezes o mesmo cenário

Talvez você tenha notado, quase todos esses componentes podem ser organizados de forma cronológica e encadeados. E, de fato, muitos acidentes são uma síntese perfeita desses fatores que estão sendo discutidos. “Marquei o meu vôo com meus amigos de última hora, e apesar do clima adverso espero o último minuto para decidir. O pessoal está todo lá me olhando. O clima não está grande coisa, está ventando um pouco acima do que eu gostaria, mas dá pra sair. Em vôo eu encontro mau tempo, o vento aumentou e as formações estão ficando mais feias. Quero descer mas perdi o pouso e não vejo um local adequado...

 

Situações indesejáveis e erros mais comuns

A ocorrência de um erro pode ou não ter sido causada por uma situação indesejável. Os precursores de eventos mais críticos estão marcados com uma seta.

Alguns exemplos de situações adversas:

Configuração inadequada do equipamento

Precisão de pilotagem insuficiente: controle do equipamento, controle da trajetória

è   Condições de vôo superiores às habilidades do piloto: tempo, tráfego ...

Incompreensão da situação: fenômeno particular, inexperiência ...

Problemas na aterrisagem: chegada muito alto ou muito baixo, velocidade ...

 

Exemplos de erros

Erro de comunicação: piloto, instrutor, controle da rampa, colegas ao redor...

è   Erro de pilotagem

Erro de navegação

Erro processual:  check-lists, manipulação de equipamentos

Erro no uso de sistemas: automatismos, coordenação motora...

Problemas na priorização das tarefas

è   Erros de Decisão: falta de consciência da situação, julgamento...

è   Erro do conhecimento: inexperiência...

 

Desvios, violações

Desvio voluntário das normas.

Violação das regras: por razões de segurança, por conveniência pessoal ..

 

Atitude do “piloto mental”

A pressão sobre o piloto é uma importante fonte de acidentes , pois o leva a assumir riscos (competição, o respeito dos outros, etc.) .

A definição correta do nível de autoconfiança é uma garantia de segurança. Excesso de confiança pode levá-lo a situações de risco.

Um vôo piloto se comporta como na vida cotidiana.

A palavra disciplina não é uma ofensa na aviação, é ao contrário uma qualidade.

Um piloto profissional de linha aérea deve dominar muitas situações. Um piloto que voa para o lazer deve saber evitar muitas situações.

Os seres humanos têm a tendência natural de subestimar riscos.

 

O estresse é um alarme que alerta para um possível perigo. É uma simples ansiedade ou uma situação a ser evitada?

Se há uma só coisa a se lembrar uma vez no ar é: Eu sou vulnerável.

 

Nós muitas vezes achamos que somos melhores do que os outros e melhor do que somos realmente.

Você deve evitar, acima de tudo, que a situação esteja além de sua capacidade .

Uma característica comum entre os melhores pilotos: eles levantam dúvidas sempre que possível: sobre o equipamento, tempo...

Pesar a realidade de suas habilidades e a realidade da situação. O saldo deve sempre ficar do seu lado; se ficar em dúvida tenha cautela.

O estresse é uma calamidade para os pilotos. O motorista vai ter dificuldade de concentração, vai cometer erros.

A diferença entre uma situação normal e uma situação perigosa é às vezes de apenas alguns segundos de vôo.

Não há piloto sem conhecimento.

 

Os melhores pilotos conhecem seus limites e fazem de tudo para ficar dentro deles.

O erro é inseparável da atividade humana. Todos os pilotos cometem erros.

Um piloto de linha opera em um ambiente altamente normalizado, enquanto um piloto que voa para o lazer é normalmente entregue a si mesmo.

Quais são os seus limites pessoais: vento, turbulência...? Defina-os.

Pilotar é uma atividade exigente. Tudo o que pode afetar seu estado de alerta (fadiga física ou mental...) deve fazer você ficar cauteloso.

Para progredir, tenha um espírito crítico sobre suas próprias experiências, este é um traço comum entre os melhores pilotos.

Aproveite a experiência de pilotos experientes sempre que tiver uma oportunidade.

Para evitar ser surpreendido, tenha sempre um "plano B", use o "E se..." (e se o vento aumentar?)

A crítica força você a tomar uma decisão.

A consciência dos riscos, a percepção de perigos, é proporcional à experiência. Cuidado se você é novato.

A prioridade dada à pilotagem deve ser (ou tornar-se) uma segunda natureza.

Não espere o último instante para tomar uma decisão

Olhe mais adiante, tanto no sentido próprio como figurado, e antecipe o que puder.

 

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