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Técnica: Sobre térmicas e nuvens "for dummies"

Publicado por em 31/12/2015 às 13h28

Térmicas e nuvens: Veja o que acontece no céu!

Para quem não é do voo ou está bem no comecinho de sua vida aérea são informações valiosas, para quem já não é mais tão preá algumas boas informações nunca são demais, então relaxe e divirta-se! Enjoy It!!! 

Vamos focar primeiro em nosso melhor indicador visível de térmicas, as nuvens. Há dezenas de livros escritos sobre ciclos, instabilidade e afins, de modo que as ideias apresentadas aqui são mais dicas de voo com nuvens e outros indícios baseados no céu, e não um texto de meteorologia.


A base para compreender o que se passa no céu é a observação; ler livros (ou artigos como este) ajuda, mas precisa ter seu próprio sistema de interpretação do céu para voar bem. Todo bom piloto que conheço passou literalmente milhares de horas olhando para o céu e tentando decifrar o que está acontecendo lá em cima.

Sabe aqueles dias de ventão, ou mesmo de condições não ideais para seu nível atual de pilotagem....Então aproveite arrume uma sombra, deite-se na relva e aprecie o céu por horas e horas...Outra boa dica...use sua câmera e grave horas de céu em time lapse.

Perceba o desenrolar da condição: As nuvens estão se desfazendo,de que forma?. Mantêm-se relativamente constantes sobre certos pontos, ou se formam sobre certos pontos e depois correm para o rotor, diminuindo enquanto se move?. Circulam lentamente, começando como finas escamas e depois formando massas cada vez mais sólidas antes de maturar?, ou algumas aparecem muito rapidamente e depois se afastam lentamente?. Têm bases planas e definidas. Ou uma aparência arredondada e fofa?. Cada resposta a estas perguntas fornece um conhecimento valioso sobre as térmicas que estão gerando estas nuvens. As nuvens são infinitamente variáveis, mas acho que apresentam padrões que podemos aprender por observação.

O conceito principal é que as nuvens são continuações ciclos ditados por suas térmicas. À medida que uma massa de ar quente sobe, eventualmente atinge uma altitude onde sua umidade condensa. Este processo continua sozinho enquanto a nuvem é alimentada por uma térmica (as bombas de condensação atuam basicamente como as térmicas, assim que as tratarei de igual maneira para simplificar). Em algum ponto o coletor de ar quente no chão se esgota, mas a nuvem ainda é alimentada por uma "Bolha" que sobe sobre o chão. Eventualmente, deixa de haver ar ascendente que alimente a nuvem e esta começa a dissipar. Neste ponto, já não há ascendentes debaixo dela. É por isso que muitas das nuvens de melhor aspecto frequentemente não são as melhores opções quando voamos debaixo delas; são lindas, mas estão no final de seu ciclo. À medida que as nuvens maturam, na verdade, produzirão descendente, o que é péssimo para quem imaginou chegar na base. O macete é entrar na ascendente sob as nuvens que ainda estão se formando. E como as distinguimos?.


O jogo mais simples com as nuvens é tentar prever se está se formando ou dissipando; antes de fazê-lo em voo, comece a jogar. Pode ser no caminho dentro do carro, no escritório, na rede em casa, enquanto passeia com seu cão, em qualquer lugar. Escolha uma nuvem e tome uma decisão rápida: está se formando ou está dissipando?. Então siga atentamente aquela nuvem até o final de seu ciclo; se achar que está se formando, crescerá no tamanho (vertical, horizontal, ou ambos) enquanto se torna mais opaca à luz (mais água suspensa significa que está indo de pequenos flocos e grumos de umidade, a um sólido branco e cinzento). Se estiver dissipando se tornará cada vez mais luminosa e lentamente se fragmentará em pedaços mais transparentes até sumir. Quanto tempo demorou esse processo?. Dois minutos?. Dez?. Vinte?. Ou simplesmente continua a desenvolver para um monstruoso cumulus rasga-Teu-Parapentus?.

Raramente faremos boas previsões de um só olhar, mas depois de olhar para a nuvem por um par de minutos, normalmente posso dizer em que direção evolui. Considero absolutamente essencial aprender os ciclos de vida das nuvens se queres voar xc; este é o equivalente aéreo de saber ler.
Lembre-se: o céu não é um foto..você tem que ver o filme!

O Carioca (aquele de São Pedro -SP), me ensinou um bom truque que ajuda a entender o que estão acontecendo com as nuvens enquanto voa. O recomendado gravar uma série de fotografias mentais do céu à medida que sobe em uma térmica. Em cada volta, olhe pego uma rápida imagem da aparência de todas as nuvens na direção que pretendo ir, veja a direção do vento; uma longa subida pode permitir 30 ou mais "fotos", E com uma mínima prática aprendi a memorizar que nuvens estão se formando e quais dissipando baseado nestas "fotos". Ao longo de algumas subidas, minhas fotos também me dão boas pistas sobre o quanto estão durando as nuvens, informação que me diz quais ainda estarão se formando quando chegar a elas. Se os ciclos de nuvens duram 30 minutos, então posso planar por 10 ou 15 minutos e ainda chegar a uma nuvem crescente com muito tempo para subir.

Perceba que até aqui, nada de gps ou integrado...dá até mesmo pra fazer sem variômetro!

Geralmente, quanto maior é a distância entre nuvens, podem durar mais (pois um maior volume de ar alimenta cada nuvem), E quanto mais elevada será a base da nuvem. Se vais tirar para uma nuvem que tem se formado por 30 minutos e chega baixo, tem poucas chances de encontrar ascendentes, não importa o quão bonita seja essa nuvem sobre sua cabeça. Muitos pilotos cometem talvez o maior erro, olhar ao redor e voar para a nuvem de melhor aspecto, não importa em que parte do seu ciclo de vida está. Se chegar a uma nuvem depois de seu ciclo de ascendentes, é pior do que voar para um buraco azul porque haverá descendentes debaixo dela; acima o chão pode estar sombreamento, um duplo golpe em suas chances de ficar no ar. Mas se está quase no topo da sua subida, vê flocos que começam a aparecer dentro de sua distância de planeio, as chances de encontrar ascendentes serão muito melhores.


Ok, você está planando para uma bela nuvem em formação, mas onde entras na ascendente?

De novo, o olhar seus ciclos, lhe dirá. Se o vento está mais forte lá em cima que no chão, as nuvens estarão se formando no seu lado de lift ou barlavento e dissipando em seu lado de rotor ou sotavento. Isto te diz que a térmica estará inclinada para dentro em ângulo desde o barlavento da nuvem. Se você tem um gps ou se sabe calcular sua velocidade-solo até a grande altura, consegue dar conta de quão forte é o gradiente de vento, e por conseguinte, o quão inclinada está a térmica.

Como sugestão, eu visualizo as térmicas em gradientes de vento de 15 km/h ou menos, inclinadas até 20 graus, 30 km/h aproximadamente a 30º, e assim por diante. Veja também que o gradiente frequentemente não é linear; muito dias encontrará um gradiente forte a uma altura em particular. Essa dica serve para calcularmos a nossa deriva e imaginarmos para onde está indo a térmica.


Os dias mais frustrantes para o voo xc se dão quando os ventos são mais suaves acima que no solo; vi esta situação se repetir bastante e nunca consegui entender como encontrar as térmicas até que me dei conta de que as nuvens poderiam estar se formando no lado de Sotavento e desfazendo a barlavento!.

As áreas mais úmidas da nuvem estarão a sotavento; nesta situação encontra se na verdade, térmicas a sotavento da nuvem.


A forma e textura da nuvem "acabada" também dão informações valiosas. As nuvens mais altas que largas tendem a significar térmicas mais fortes e podem levar a um maior desenvolvimento mais tarde no dia (não vamos falar de instabilidade...).

Nuvens como pompons de algodão e muito próximas uma das outras, produzem ciclos relativamente rápidos, e normalmente nunca bases planas ou consistentes, não costumam ter boas ascendentes abaixo; no entanto, as suas suaves ascendentes são fáceis de encontrar, simplesmente voando para sotavento e provavelmente você vai encontrar alguma coisa. De modo que estas nuvens produzem ciclos tão rápidos, que é quase impossível ajustar o tempo de chegada à que está em desenvolvimento. No entanto, muitas vezes se formam em áreas gerais, e estas áreas devem oferecer melhores chances de nos manter no ar.

Em dias úmidos, o céu estará absolutamente cheio de nuvens uniformemente espaçadas; infelizmente só algumas estarão ativas, enquanto que a vasta maioria estarão dissipando lenta e irritantemente.

Em dias mais secos, as poucas nuvens que há no céu certamente estarão ativas, mas certifique-se de chegar quando ainda estão no seu ciclo ativo.

Finalmente, as nuvens de base chata indicam térmicas bem formadas alimentando-as continuamente. As bases arredondados e algodonosas geralmente indicam térmicas não tão bem formadas e ascendentes mais fracos.


Em dias de nuvens maiores, preste muita atenção para que parte da base está mais alta; a melhor ascendente quase sempre estará alimentando a parte mais alta da nuvem. Olhe ao redor, à medida que sobe para a base, podes subir mais alto sob uma porção da nuvem diferente da que usou para chegar. Isto é muito comum ao voar no limite entre uma massa de ar úmido e outra relativamente seca.


Além de entender para que tipo de nuvens voar, muita gente quer saber que tipo de nuvens evitar. E isso é muito importante!!!

Costuma ser difícil saber o que está acontecendo com sua nuvem enquanto está subindo, porque a nuvem tende a obstruir a sua visão lateral da mesma; no entanto, se você está fotografando mentalmente a cada giro, terá uma boa ideia do que está acontecendo com as outras nuvens. É possível que estejas girando térmicas sob o único Cu-Nim gigante do céu, difícil de acontecer mas não impossível todo cuidado é pouco, sempre desconfie de subidas muito fáceis.

Se o céu está começando a desenvolver por todos lados, provavelmente é hora de sair do ar, não importa o que se passa sobre a tua cabeça. Em nuvens grandes ainda podem ocorrer ciclos regulares; alguns dias com cúmulus de 8 a 16 km de largura são bons para voar, mas se as nuvens começam a crescer muito mais na altura do que em largura, só nos resta sair correndo para um melhor pedaço de céu (entenda ode para de subir), ou o melhor será pousar.

Depois de pousar e com a minha vela segura, gosto de observar o que aconteceu realmente com as nuvens que me preocupavam; fizeram seu ciclo inofensivo ou continuam a crescer para cima?. Se desenvolveram, quanto tempo passou desde que decidi abandonar meu voo até que a primeira rajada de vento chegou no solo?. Às vezes me frustrei por pousar mais cedo, tudo bem estou aqui para escrever isto a você, mas as poucas vezes que me excedi e permaneci no ar por mais tempo foi realmente assustador, não vale a pena.

Quanto mais eu voo, mais conservador eu fico. Se as nuvens no céu começam a "ferver" radicalmente e parecem punhos em um dia com previsão de tempestades, pouse de imediato. Olhar intensamente o céu enquanto voa não é só procurar a próxima ascendente, é a base para um voo seguro.

Isto leva-me para a secção mais ampla deste artigo: em geral, as nuvens formam-se em padrões relacionados. Esses padrões se devem a uma combinação de muitos fatores (novamente, vale a pena compreender a meteorologia, compre livros e leia-os), E estas áreas de instabilidade são onde queremos voar e subir nas ascendentes.

Me meti em enormes áreas azuis e acabei pousando, vezes suficientes para acreditar que isto é ruim no sentido de acabar o voo. Quase sempre é melhor voar pelas nuvens em torno de um buraco azul, do que atravessá-lo diretamente, não importa o quão "vivo" pareça este caminho. Os pilotos de planadores se dão ao luxo de fazer gigantescas transições entre elementos do céu, distantes até 150 km entre si, já nós geralmente não.

Muitos pilotos sonham com voar sob ruas de nuvens (clouds streets) e voar por elas até escurecer; isto ocorre ocasionalmente, descobri que é melhor tratar as ruas como nuvens conectadas mas individuais. Se a rua tem bases chatas, e mantém uma boa coloração (densa mas não dissipando e nem desenvolvendo) enquanto está nela pise na barra e acelere tão rápido como permita seu conhecimento teórico sobre a velocidade de voo.

Mas sempre olhe em frente e analise o que está acontecendo; mais cedo ou mais tarde, as nuvens vão acabar, e você precisa estar atento ao que se passa diante de ti e para os teus lados. Vejo que é melhor tratar as grandes brechas entre nuvens como buracos azuis, e pular para uma de um lado para outra rua se a fenda à frente é mais larga que o salto lateral, do que arriscar no azul e pousar.

Em uma próxima ocasião vamos falar sobre voar no azul e as enfadonhas camada de inversão!

Aos novatos tem um ditado no voo que diz mais ou menos assim!!!

"É melhor estar no chão querendo voar, do que estar voando querendo pousar!" pense nisso!!!

 

Tags: ABP, escola, nuvens, paraglider, parapente, térmica

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